Porta da Serra da Estrela e sede da Região de Turismo, esta é a terra da indústria da lã, berço de descobridores de quinhentos, hoje cosmopolita cidade universitária.
Na vertente sudeste da Serra da Estrela, a Covilhã (45.000 hab.) é um dos principais centros urbanos do interior do país. A cidade está localizada a 20 Km do ponto mais alto de Portugal Continental, a Torre ( 2.000 m) e o seu núcleo urbano estende-se entre os 450 e os 800 m de altitude. É uma urbe de características muito próprias desde há séculos, conjugando em simultâneo factos únicos na realidade portuguesa;
Há 800 anos aqui existe o trabalho da lã que hoje se reflecte principalmente em modernas unidades industriais, sendo a Covilhã um dos principais centros de lanifícios da Europa;
Era já na Idade Média uma das principais "vilas do reino", situação em seguida confirmada pelo facto de grandes figuras naturais da cidade ou dos arredores se terem tornado determinantes em todos os grandes descobrimentos dos sécs. XV e XVI: o avanço no Atlântico, o caminho marítimo para a Índia, as descobertas da América e do Brasil, a primeira viagem de circum-navegação da Terra.
A Covilhã encontra-se no centro de uma região onde se localizam 9 das 10 Aldeias Históricas portuguesas; É a cidade mais próxima da estância de inverno onde se localizam as únicas pistas de esqui portuguesas e às quais se acede percorrendo espantosas paisagens de montanha;
É centro universitário e tecnológico onde se sedia a Universidade da Beira Interior que conta com cerca de 5.500 estudantes pertencentes a vários cursos superiores;
Aos seus pés desenvolveu-se um riquíssimo e fértil vale de grandes aptidões frutícolas (cereja, pêssego, maçã, pêra) e vinícolas, a Cova da Beira. A Covilhã teve o primeiro foral em 1186 e desde aí e até ao presente manteve uma situação de extrema importância histórica, cultural e económica na vida de Portugal.
A Cidade dos Descobridores Apesar de não ter mar, a Covilhã possui uma história ímpar como cidade ligada à grande epopeia portuguesa que, há 500 anos, soube dar outros "mundos ao mundo". É espantoso pensar como uma mesma urbe foi mãe de tantos navegadores, exploradores, cientistas que revolucionaram a história da humanidade.
INFANTE D. HENRIQUE - O NAVEGADOR - O maior responsável do avanço de Portugal para os mares e para o mundo, recebeu do pai, o rei D. João I, o título de Senhor da Covilhã após a primeira grande acção africana, a tomada da cidade de Ceuta, em 1415. Depois desta conquista, a vida do Infante fala por si: tornou-se parte da história do mundo.
PÊRO DA COVILHÃ - PREPARADOR DA CHEGADA DE V. GAMA À ÍNDIA - A necessidade de atingir a Índia por mar, levou D. João II a conceber uma política de avanços sucessivos no mar. Na parte ocidental africana, o rei lançou Bartolomeu Dias que viria a dobrar o Cabo da Boa Esperança. No Índico, na costa oriental de África e na parte ocidental indiana, foi Pêro da Covilhã o explorador. A ele se devem as informações que permitiram a consequente certeira viagem de Vasco da Gama e a descoberta do caminho marítimo que transformou a história.
PEDRO ÁLVARES CABRAL, DESCOBRIDOR DO BRASIL - Era natural da vizinha vila de Belmonte, estendendo-se as enormes propriedades familiares à Covilhã. No ano de 1500, dirigiu uma frota de 13 navios naquela que deveria ser a segunda viagem à Índia. Antes porém, acabou por arribar à costa da Baía, no Brasil. A ele se deve, em primeira instância, o facto de o português ser hoje uma das línguas mais faladas no mundo.
MESTRE JOSÉ VIZINHO - A LATITUDE NOS MARES - O famoso Mestre José referido por Cristóvão Colombo que muito aprendeu dos seus conhecimentos astrológicos, era cosmógrafo e médico de D. João II. A grande invenção do séc. XV foi a descoberta da navegação astronómica com a consequente introdução de escalas de latitudes nas cartas de marear. A sistematização do método revelou como artífice do processo este grande judeu covilhanense. Estes estudos passaram a significar a liderança da técnica portuguesa do mar.
RUI FALEIRO - A LONGITUDE NOS MARES - Cosmógrafo covilhanense, nascido em finais do séc. XV, foi o principal organizador científico da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães em Sevilha. O conhecimento da longitude no mar era fundamental pois completava os métodos já conhecidos para determinar a latitude e permitir a localização das naus na superfície dos mares. Rui Faleiro foi o grande artífice da avaliação da longitude a partir do lugar de observador.
FRANCISCO FALEIRO - A DECLINAÇÃO MAGNÉTICA - Irmão de Rui, cosmógrafo, foi o autor da primeira exposição que inferia a declinação magnética do ângulo de duas sombras lançadas em vertical sobre o plano de horizonte, quando o sol atingisse alturas iguais antes e depois do meio-dia. Elaborou em Sevilha, 1535, o Tratado del Mundo y del Arte del Marear, cronologicamente a segunda obra do séc. XVI que desenvolve o estudo dos fenómenos do magnetismo terrestre.
A Cidade da Neve De Dezembro a Abril. Um cenário espantoso de alvura cintilante para férias e fins-de-semana na neve, a esquiar e a sorrir.
Depois é pôr os esquis, alugar um trenó, dar um passeio a pé ou de bicicleta de montanha à volta do Lago Viriato, dos poios e dos cumes que sobem por entre panoramas impressionantes desde a Varanda dos Carqueijais até às Penhas da Saúde ou até ao local mais alto de Portugal Continental - a Torre, onde se situam as pistas de esqui com cinco telesquis que transportam 3.000 esquiadores/hora e dotadas com escola de esqui. Aqui, para uns, é o prazer há muito desejado de esquiar, por entre momentos de salutar desporto, evasão e bem-estar. Para outros é o reencontro com aventura das escaladas ou o sabor puro da montanha nos passeios a pé, nos salpicos da neve, no sorriso alegre das crianças e da vida em estado puro no cenário magnífico do Parque Natural da Serra da Estrela.
A Cidade da Animação Principalmente devido ao facto de existir uma grande massa estudantil (cerca de 14.000 estudantes dos quais 5.500 universitários), a animação da vida social é verdadeiramente movimentada.
A noite vive-se em inúmeros bares e excelentes discotecas. Para além disso, os passeios são possíveis a cavalo, de balão, helicóptero ou jeep todo-o-terreno e podem mesmo alargar-se a uma corrida de Kart ou a uma aprendizagem de esqui. Estes serviços são prestados por diversos agentes turísticos locais.
No Centro das Aldeias Históricas Em Portugal existem, definidas pelo estado, dez Aldeias Históricas.
Todas envolvidas num programa de recuperação, tornaram-se verdadeiras jóias da arquitectura medieval. A Covilhã situa-se precisamente no centro de uma área que inclui nove dessas Aldeias, facto que permite visitas globais a partir da cidade. As distâncias variam entre os 25 e os 100 Km, estando localizadas a Norte - Almeida, Linhares, Marialva, Castelo Rodrigo e Castelo Mendo, a Sul - Castelo Novo, Monsanto, Idanha-a-Velha e a Leste - Sortelha.
Da Covilhã à Torre Pela subida e pela montanha mais íngreme, mais pura e mais espectacular, até chegar ao ponto mais alto de Portugal Continental.
A partir da Covilhã tem-se o acesso mais simples, mais curto e mais panorâmico à Torre e a todo o Maciço da Serra da Estrela. Para lá chegar sobe-se pela EN 339 que começa por passar pelo Parque Florestal da Covilhã, onde à direita há um miradouro sobre a cidade e as planuras da Cova da Beira e, à esquerda, o leito da ribeira da Degoldra, berço secular da indústria de lanifícios. O Parque Natural da Serra da Estrela começa no cruzamento para Rosa Negra e o Parque de Campismo do Peão antecede os miradouros das Portas dos Hermínios e da Varanda dos Carqueijais onde há um miradouro e um panorama imenso das terras de Portugal e Espanha.
A subida continua até às Penhas da Saúde, uma magnífica estância de férias em altitude, onde dá gosto passear junto ao Lago Viriato e que antecede os majestosos vales glaciários de Manteigas e de Unhais da Serra, vilas onde existem excelentes zonas termais. A caminho das pistas de esqui da Torre, admira-se a planura branca e suave da Nave de Santo António, rodeada pela grandiosidade dos Três Cântaros, em cujo sopé gira a estrada, atravessando túneis e acompanhando os morros de neve. Próximo do Covão do Boi encontra-se o monumento a Nossa Senhora da Estrela, esculpido em baixo-relevo no final dos anos 40 por António Duarte. Até chegar à Torre surge o topo do Cântaro Magro, à direita, antes do cruzamento que dá acesso ao local mais alto de Portugal Continental, cerca de 2.000 metros de altitude.
A Cidade Fábrica - 800 anos a trabalhar a lã Poucos centros urbanos podem assumir uma actividade económica regular ao longo de oito séculos, mas é esse o caso da Covilhã e do trabalho dos lanifícios.
Como manufactura primeiro, como indústria depois, o certo é que ainda hoje a cidade é um dos principais centros europeus de produção de lanifícios. Actualmente, esta indústria produz por ano cerca de 40.000 Km de tecido, e é fornecedora de grandes marcas têxteis mundiais como a Hugo Boss, Armani, Zenga, Marks
De volta à cidade média
O ar medieval da vila de Trancoso acolhe o visitante que percorre as suas vielas ladeadas por portões biselados e paredes com mísulas. Despertam a atenção as casas de duas portas, uma larga e outra estreita, denominadas as judiarias de Trancoso. Os judeus povoaram a vila e transmitiram aos seus descendentes o carácter comercial que lhes era típico. Numa destas casas da parte velha da vila terá nascido o misterioso Bandarra, sapateiro e profeta, ainda hoje citado pelo povo com foros de autoridade indiscutível, que profetizou nas suas trovas a perda da liberdade e a restauração da Independência.
A história de Trancoso anda profundamente ligada à de Portugal. Situada próximo da fronteira, a terra assistiu a diversas lutas e acontecimentos marcantes. Ainda hoje a batalha de S. Marcos, travada em 1355 e percursora de Aljubarrota, continua a ser comemorada em 25 de Abril.
O rei D. Dinis escolheu esta terra para celebrar o seu casamento com a rainha Santa Isabel. O acontecimento deu-se em 1282 na Ermida de S. Bartolomeu.
Foi também na sua fortaleza que se cimentou a já centenária e cada vez mais firme aliança luso-britânica, tendo cinco das Doze de Inglaterra o seu solar na vila.
Monumentos e Locais a Visitar Em Trancoso não deixe de visitar o Castelo Medieval e Muralhas. Restaurado nos séculos XII e XIV, foi acrescentado no século XVI, sendo constituído por uma cerca de muralha com 15 torres onde se abrem quatro portas de acesso à vila que fechavam com sistema de guilhotina – Porta d’El Rei, do Prado, de S. João e dos Carvalhos - e por uma torre de Menagem que se situa na cidadela. A Casa dos Arcos, seiscentista e a Casa do Gato Preto, situada próximo da cidadela, com decoração de motivação judaica. A Capela de Santa Luzia e a Igreja da Sr.ª da Festa, ambas românicas do século XIII, a segunda com pinturas a fresco. A Igreja de S. Pedro, restaurada no século XIX com pórtico, torre e altares barrocos; a Igreja da Misericórdia, datada do século XVII; a capela de S. Bartolomeu, do século XVIII, de estilo barroco.
Poderá ainda visitar a Arcaria do solar seiscentista; o Palácio Ducal de finais do século XVIII, o Quartel General de Beresford, casa do século XIV; a Capela e o Cruzeiro do Senhor da Calçada, exígua construção de meados do século XVIII. Em Aldeia Nova poderá apreciar os vestígios de castros e de edificações dolménicas.Em Carnicães visite a Igreja Matriz de características românicas; o edifício com janela da Renascença, na Rua Eiró, com inscrição de 1621 e o edifício com janela manuelina, junto ao chafariz. Em Guilheiro poderá ver a Igreja Matriz de fundação românica, tendo sido reconstruída no século XVII.
Posto de Turismo de Trancoso Av. Heróis de S. Marcos 6420-063 Trancoso Tel.: 271 811 147 Fax: 271 812 189 (C.M.T.).
A praça mais avançada do reino da Beira Alta
Com cerca de 12 mil habitantes e tendo como principal actividade a agricultura – com especial destaque para a produção de vinhos – tem ainda como actividades económicas mais significativas o pequeno comércio e a pequena indústria, para além da exploração e transformação de granitos.
Cidade com inúmeras marcas de poderios passados, Pinhel chegou a destacar-se no contexto nacional durante largo tempo, tendo sido a praça mais avançada do reino de Portugal na Beira Alta, até à assinatura do Tratado de Alcanices. Foi apenas na Idade Média que Pinhel consolidou a sua relevância no nosso sistema defensivo fronteiriço, dada a proximidade do reino de Leão e Castela e a constante instabilidade entre os dois estados. A produção de linho e estopa é característica da região para além dos cestos em verga, rendas, colchas, bordados e tapeçarias de retalhos.
Monumentos locais a visitar A Igreja de Santa Maria do Castelo – Edifício gótico do século XIV. Na capela-mor, além do altar barroco, admire as 14 telas do século XVII com cenas da vida da Virgem e duas tábuas de pintura do século XVI: A fuga para o Egipto e Nossa Senhora da Conceição. Embutida na parede, em nicho policromado, está uma escultura do século XV, em pedra de Ançã, Santas Mães, atribuída a Diogo Pires, o Velho. A Igreja da Misericórdia – Do século XVI, conserva um portal manuelino encimado pelas armas reais e por uma esfera armilar. A Igreja de S. Luís (Igreja Matriz) – Data do século XVII e fez parte de um Convento de Franciscanos fundado nos finais do século XVI.
A Igreja e Convento de St.º António (Igreja dos Frades) – Oitocentista. Altar-mor de características renascentistas, encimado pelas armas franciscanas. Ao lado da Igreja está o Convento – destruído por um violento incêndio, já no nosso século – e o Claustro. A Capela de Santa Rita – Edificada em 1640. O Castelo e Muralhas – Reedificado por D. Dinis – o castelo apresenta hoje duas torres e uma cintura amuralhada com seis torres e seis portas.
Nas muralhas, a actual torre do relógio era o local onde se guardavam os livros municipais. O Pelourinho – Do século XVI. Uma inclinação sofrida nos anos 40 obrigou a que fossem colocados "gatos" de ferro, para garantir a sua estabilidade. O Solar dos Mena Falcão – Seiscentista; o Solar dos Mendes Pereira do século XVIII, exibe janelas e frontão, em cantaria, do período joanino e o Solar dos Corte Real – Edifício setecentista, tem brasão encimado pelas armas do capitão-mor Manuel Corte Real. Antigos paços do Concelho – Construção do século XVII, ostenta na frontaria as armas de D. João V. Construído para Tribunal de Correcção, foi Câmara Municipal até 1933 e Escola Primária até 1942. Actualmente é o Museu Municipal.
A Casa Grande – actual Câmara Municipal, é um solar dos finais do século XVII.
O Paço Episcopal – Construído em finais do século XVIII. No século XX, já foi quartel militar, colégio e escola secundária. Actualmente, é uma residência de estudantes. Palacete Simões Ferreira - data do século XVII e tem vistas sobre as torres do castelo e parte das muralhas. A Casa dos Correia Azevedo – Provavelmente datado de 1621 e Casa dos Metelo de Nápoles – foi construída em 1864, com vista panorâmica para o vale do Passareiro. O Museu Municipal de Pinhel. O Museu grupo de Amigos de Manigoto. A Necrópole de Vascoveiro – Importante necrópole medieval, com túmulos de diversas tipologias, com um total de 31 sepulturas descobertas até agora.
Cidadelhe – Pertence à área do Parque Arqueológico do Côa, Cidadelhe tem pinturas rupestres, um antigo castro romanizado e igreja ,do Século XVI, com tecto em caixotões, para além de ser uma aldeia com uma arquitectura muito típica e homogénea. Situada no extremo norte do concelho, a aldeia teve origem numa povoação fortificada.
Posto de Turismo de Pinhel Rua Silva Gouveia 6400-455 Pinhel Tel.: 271 410 000 Fax: 271 413 388 (C.M.P.)
A Praça forte em forma de estrelaA praça-forte de Almeida fica a 14km da fronteira de Vilar Formoso. O concelho integra-se num espaço que pode ser considerado um hino dedicado à defesa da nacionalidade, desde a Fundação até ao início do século XX.
De facto, as bem conservadas muralhas e as ricamente guarnecidas Portas de Santo António e de S. Francisco dão entrada em túneis de abóbada à vila-fortaleza. A outrora poderosa praça de armas articula-se em dois núcleos fortificados, um deles na zona mais elevada, com duas torres. O outro castelo, integrado na vila, ficou conhecido por Casa da Traição. Teve de ser reedificado no século XVIII devido às destruições produzidas por um raio, respeitando-se o traçado anterior dos seus quatro baluartes, fosso e numerosas instalações castrenses, donde se destacavam os armazéns com capacidade para armamento e munições suficientes para um exército de 300 mil homens.
Até ao século XIX, Almeida foi fundamental nas operações bélicas, ponto de apoio permanentemente cobiçado e, por isso, em constante sobressalto, habituando-se a viver horrores e glórias como normalidades do quotidiano. Mesmo quando ensombradas pela capitulação, como na Terceira Invasão Francesa (1810), quando Massena quis iniciar a campanha portuguesa com uma vitória espectacular, e veio cercar e tomar Almeida.
Hoje considerada vila Monumento Nacional, Almeida parece ter sido fundada pelos muçulmanos um pouco distante da localização actual. Fadada para sofrer guerras, passou várias vezes de mãos sarracenas a cristãs, e vice-versa, até que D. Dinis a encontrou sem gente nem paredes inteiras. Mudando-a para onde se encontra agora, em terreno menos plano que o anterior, fez chamar povoadores e fabricar o seu castelo, ampliado depois por D. Manuel e modernizado em épocas sucessivas, segundo o sistema desenvolvido por Vauban. Ainda com D. Maria I, novas e importantes obras melhorariam a praça-forte. Embora recebendo os tempos modernos, a vila tem sabido manter o estilo próprio das suas velhas ruas.
E para quem gosta de artesanato, a olaria, o baracejo, a marcenaria, cestaria, tapeçarias, tecelagem, rendas e albardas são artes de destaque no concelho, onde se encontra também um sem número de trabalhos em metal, latoaria, galritos, tamancos ou lacticínios.
Monumentos locais a visitar A Praça de armas é uma das mais importantes fortificações do País. Toda a vila é rodeada por um polígono de muralhas de forma hexagonal. A fortaleza é recortada de reentrâncias e baluartes em forma de lança. O acesso à praça faz-se por três portas em túnel, com abobadas à prova de bomba. A praça comunica para o exterior por uma porta, datada de 1797, que dá ligação às casamatas.
Construídas a partir de 1641, as muralhas de Almeida foram marco importante para a Restauração da nacionalidade, sendo consideradas as segundas mais importantes do reino.
O Castelo foi um dos mais elegantes e famosos da raia. Nas Terceiras Invasões Francesas, uma violenta explosão destruiu-o, pelo que dele apenas restam, hoje, os alicerces, como vestígio da sua importância defensiva. O edifício dos Paços do Concelho data do século XVIII. Inicialmente construído para Quartel de Artilharia, o edifício já serviu para Quartel General e Prisão, tendo sido recentemente adaptado para Câmara Municipal.
As Casamatas, localizadas no Baluarte de S. João de Deus ocupavam uma vasta área subterrânea. O exterior é à prova de bomba, protegendo, assim, as vinte salas e corredores que compõe este local de refúgio. Durante as lutas liberais, no século XIX, serviram de prisão.
A Igreja Matriz, antiga Capela do Convento de N.ª Sr.ª do Loreto (século XVII), passou às funções de templo principal em 1810, após a explosão do Castelo e Igreja Matriz. O Palácio da Vedoria foi construído no século XVII, para serviço do antigo Governo Militar. Hoje Palácio da Justiça. O Quartel das Esquadras, antigo Quartel de Infantaria. Mandado construir, no século XVIII, pelo Conde de Lippe ( reorganizador do exército português) apresenta uma arquitectura invulgar e ostenta no topo o brasão real.
A Torre do Relógio foi construída no século XIX sobre os escombros da original Igreja Matriz. Castelo Mendo é uma povoação circundada com sistema de muralhas de arquitectura medieval. São de realçar as construções em granito dos imóveis, assim como algumas janelas Renascentistas e Filipinas. Na praça está o pelourinho, do século XVI, um dos mais altos da Beira (7m).
O Castelo de Castelo Mendo é Monumento Nacional. Conserva seis portas medievais.
Posto de Turismo de Almeida C.M. de Almeida – Posto de Turismo Praça da Liberdade 6350-130 Almeida Tel.: 271 570 202
A MontanhaSubir a encosta noroeste da Serra da Estrela a partir de Gouveia é um convite da Natureza para fruir os seus encantos. Suavemente, estrada acima, ao encontro de fontes de água pura, figuras de granito que o tempo desenhou, paisagens extraordinárias do vale do Mondego e das serranias para além dele, lagoas e lagos, nascentes de rios e ribeiras, flora e fauna abundantes, tudo se pode juntar a muitas outras descobertas e ao prazer único de beber o ar saudável da montanha. Por aqui se chega até ao mais alto sítio do continente – a Torre ( 2000 m de altitude).
Os Espaços Verdes Quem optar por um calmo passeio pelas ruas desta “ Princesa da Serra” há-de ser surpreendido pelos artísticos jardins públicos e pelos espaços verdes bem cuidados que se espalham pela cidade . O atractivo e muito frequentado Parque Infantil faz as delícias das crianças e oferece momentos de repouso às famílias. O Jardim Lopes da Costa com um coreto e um pequeno lago ao centro, pérgolas de madeira em redor e áreas ajardinadas alternando com passeios bem pavimentados, é mais um dos bonitos espaços que a “ Cidade Jardim” tem para oferecer. Os Mirantes do Paixotão e de Botto Machado sãolocais onde a vista se perde em panorâmicas deslumbrantes para o vale ou simplesmente para o casario desta Gouveia acolhedora que resistiu à vaga desordenada de betão e se preservou escolhendo um modelo de desenvolvimento urbanístico de que hoje se orgulha. Para além de outros, merece destaque o Parque Zoológico, uma aposta na vertente turística e pedagógica da fauna e da flora numa zona de montanha (visita obrigatória). Um pequeno paraíso numa colina às portas da cidade.
A Gastronomia Quem tiver o privilégio de saborear os típicos produtos da Serra da Estrela em Gouveia, fará, desde logo, uma promessa: voltar a esta cidade e aqui repetir momentos de prazer que só o queijo da serra e os enchidos – originários do concelho - acompanhados dos excelentes vinhos do Dão produzidos nas Adegas Cooperativas de Vila Nova de Tazém e de S. Paio ou por produtores particulares, podem proporcionar. E que outras iguarias se poderão comparar com pratos como cabrito do monte assado em forno de lenha, feijocas à pastor, arroz de carqueja ou trutas de escabeche, para não falar em magníficos menus com base em peças de caça como o javali, coelho, lebre ou perdiz ?!! Nas sobremesas, o requeijão com doce de abóbora e o arroz doce com leite de ovelha são os eleitos pelos gostos mais exigentes e apurados. A cozinha tradicional da Serra encontra em Gouveia a sua expressão mais autêntica. O saber-fazer das antigas “bodeiras” atravessou as gerações e é hoje a mais rica herança que os restaurantes detêm e preservam como valioso património que faz de Gouveia a Capital da Gastronomia Serrana.
Animação Para lá do repouso que uma cidade tranquila pode oferecer, Gouveia permite optar por uma animação diversificada. Para os adeptos de caminhadas existem trilhos pedestres definidos que mostram os encantos naturais encosta acima ou em direcção ao vale. São possíveis incursões pela serra em viaturas T.T., em BTT ou em viaturas ligeiras em direcção à Rota do Mondego. Os cursos de água, os lagos e lagoas convidam à prática de canoagem, pesca desportiva ou simplesmente a um banho refrescante no Verão. No Inverno, a neve é por si só suficiente para se viverem momentos únicos praticando desportos ou inventando brincadeiras. O Outono e Primavera são por ventura as épocas do ano em que a montanha mais tem para dar. Tempo em que o colorido das paisagens apresenta matizes em cada instante diferentes e em cada instante mais belos. À noite quem não optar pelos bares ou esplanadas da cidade pode participar em observações dos astros em altitude. A riqueza arqueológica até agora conhecida é também um atractivo com um guia já organizado no Roteiro Arqueológico de Gouveia.
Enfim, para além dos passatempos e desportos citadinos como o ténis, piscinas, jogos de pavilhão, ginásio, etc., existe um mundo para descobrir ...
A Cultura Dois dos maiores vultos nacionais da cultura portuguesa nasceram no concelho de Gouveia. Mestre AbelManta deixou a sua terra, Gouveia, aos 16 anos para estudar pintura na Escola de Belas Artes, em Lisboa.
Falecido em 1982 deixou obras valiosas que se podem encontrar no Museu Nacional de Arte Contemporânea em Lisboa e no Museu de arte Moderna Abel Manta em Gouveia. No campo das letras, o ilustre gouveense Vergílio Ferreira, nascido em Melo em 1916 distinguiu-se como um dos maiores escritores contemporâneos e publicou inúmeras obras literárias como “Manhã Submersa”, “Aparição”, Alegria Breve”, “Para Sempre”, “Até ao Fim” entre outras. Tendo falecido em 1996, foi sepultado na sua terra natal em campa rasa virada para a serra, como era seu desejo. Parte do seu espólio foi doado ao município de Gouveia e encontra-se na Biblioteca Vergílio Ferreira de onde deverá transitar para o Centro de Estudos Vergilianos que a autarquia instalará no Paço de Melo, edifício do século XVI, depois de recuperado.
Em espaços contíguos, dignos de visita obrigatória, encontram-se o Pátio do Museu com peças arqueológicas em exposição, o Museu Etnográfico onde se(re)vivem memórias de uma ruralidade genuína e o Museu de Arte Sacra com uma sala dedicada ao espólio pessoal do gouveense Mendes Belo que foi Cardeal Patriarca de Lisboa entre 1907-1911.
As Festas e Romarias O Verão traz a Gouveia um período de festas, de alegria e de convívio entre as populações e os visitantes. A mais importante de todas é sem qualquer dúvida a que conquistou o título de “A Maior Romaria dasBeiras”. As Festas do Senhor do Calvário trazem à cidade milhares de forasteiros e turistas que durante, o dia se integram em grandiosas procissões e outras cerimónias religiosas e à noite se juntam à multidão das ruas animadas por bazares, diversões e musica ao vivo, ou optam por assistir aos espectáculos de cartaz com afamados artistas nacionais. A iluminação e decoração da cidade, para além do tradicional e espectacular fogo de artifício, contribuem para a grandiosidade dos festejos que durante seis dias (sendo o último a 2.ª Segunda-feira do mês de Agosto) dão uma extraordinária animação a todo o concelho. Outras festividades e feiras têm lugar ao longo do ano com destaque para a Feira do Queijo, no Inverno Domingo Gordo), a Festa das Maias, na Primavera, a Feira do Mel, na entrada do Outono, ConcursoCão da Serra da Estrela em Junho, Encontro Nacional “ Os Bigodes”, em Outubro, Semana CulturaAbel Manta, em Novembro, Raid Todo o Terreno, em Junho, Raid Hípico, em Maio e SemanasGastronómicas em Outubro.
Os Monumentos No património arquitectónico são dignos de realce alguns monumentos situados no centro da cidade. Apenas o Convento de S. Francisco (sec. XVIII) se encontra mais afastado. No Solar dos Condes de Vinhó e Almedina (sec. XVIII) está instalado o Museu Municipal de Arte Moderna Abel Manta. O interior do Solar dos Marqueses de Gouveia (sec. XVIII) foi remodelado para acolher a Biblioteca Vergílio Ferreira integrada na Rede Nacional de Leitura Pública. Nos Paços do Concelho estiveram instalados, no século XVIII, os padres jesuítas para aí ensinarem latim, moral e também a ler e escrever. A Igreja da Misericórdia, a Igreja de S. Pedro e o Solar dos Marqueses de Gouveia contornam um bonito espaço exterior de convívio e lazer – a Praça de S. Pedro. Bem perto daqui, na Rua Direita encontra-se um edifício de habitação quinhentista que pertenceu aos Marqueses de Gouveia, ornamentada por uma Janela Manuelina de delicado trabalho de pedra, classificado património nacional – a Casa da Torre.
A Capela do Senhor do Calvário, mandada construir pelos frades jesuítas em consagração ao Deus da Misericórdia por ter poupado Gouveia do terramoto de 1755, é um local de culto que os gouveenses privilegiam.
Posto de Turismo de Gouveia Av. 25 de Abril 6290-554 Gouveia Tel.: 238 490 243 Fax: 238 494 686
Porta aberta à Serra da Estrela e à sua imponência natural. Ás suas delícias, às emoções da neve e à pureza das paisagens que nos fazem sonhar.
Cidade de origem antiga, desde sempre serrana e panorâmica, a quem os romanos deram o nome de Civitatem Sennam. A pastorícia e o fabrico do queijo remontam à Proto-História, tal como os Lusitanos, povo de pastores e guerreiros dos Montes Hermínios, cuja bravura e resistência a Roma é relatada desde o séc. IV d.C., por historiadores gregos e latinos. Esses tempos revelam-se hoje no Castro de S. Romão, a 4 kms de Seia. Aqui ainda se vêem três muralhas em volta de um Tor granítico, de grandes blocos. No centro da cidade a história é mais recente. Do seu antigo castelo medieval que foi conquistado aos Mouros por D. Afonso Henriques, em 1132, só resta o terreiro rochoso, hoje ocupado pela Igreja Matriz e envolvido por belo panorama e pelo Bairro do Castelo, todo ele cruzado de ruelas estreitas e casario de rosto antigo. Mais abaixo pode ver a Casa das Obras, edifício apalaçado do séc. XVIII, onde estão os actuais Paços do Concelho e que foi o antigo Solar dos Albuquerques e quartel-general de Wellington durante a última invasão napoleónica. A capela de S. Pedro, tem um portal românico, séc. XIII, e o corpo da nave é de reedificação manuelina, séc. XVI, demonstrada no fecho da abóboda pelo florão com a Cruz de Cristo, símbolo de D. Manuel I. Em frente da Capela situa-se o Solar dos Botelhos, também decorado com três belas janelas manuelinas. Ao lado, a Igreja da Misericórdia do séc. XVIII.
Pelos vales encantados do Alva, Loriga e Alvoco Em tempo de férias, venha ver os encantos do nosso mundo rural, onde brilha o chão verde dos socalcos, as águas límpidas da Serra da Estrela e o sorriso das gentes que fizeram dos velhos vales glaciares novas terras de pão.
Deixando Seia pela EN 231, volte à esquerda em S. Romão, para ver o rochedo ciclópico da Cabeça da Velha, a cerca de 250 metros da Senhora do Desterro, um local onde existem oito capelas e se realizam as festas de S. Pedro e da Padroeira, a 29 de Junho e 15 de Setembro.
Mais abaixo passa o rio Alva e, logo a seguir à ponte, parte um caminho que conduz ao Castro de S. Romão e às Grutas Proto-Históricas do Buraco da Moura.
De volta a S. Romão, terra onde há diversas queijarias certificadas e veja os típicos coletes e as casacas de pastor na alfaiataria do Sr. António Garcia.
A acompanhar o rio Alva desça até à Vila Cova à Coelheira e daí suba à EN 17, para no cruzamento de Catraia, descer ao espantoso anfiteatro de socalcos de Sandomil, de novo à beira do Alva.
Para Valezim o caminho é sinuoso, cruza pinhais e castiçais, é panorâmico e passa por Corgas, S. Cosme, Tapadas e Sazes da Beira.
As terras de Valezim, sussurrantes de riachos e de rebanhos, mostram férteis leiras de milho à volta do casario, do antigo pelourinho e da Igreja românica de S. Pedro. Pela EN 231 passa-se ao Miradouro do Carvalhal e, em frente à mata dos Viveiros Florestais, volte à direita para Cabeça. A paisagem do magnífico vale de xisto de Loriga é grandiosa. Erga o olhar e veja, a fechar o vale, à esquerda os dois fraguedos graníticos da Penha dos Abutres e do Gato, separados pela ribeira de Loriga que escorre desde o Covão do Meio, a 1800 metros de altitude. Em frente, a crista xistosa que esconde o vale do Alvoco, repondo o contraste entre duas rochas e dois mundos. No meio o Homem e a sua epopeia de guardar a terra fértil, ao longo de milhões de socalcos deste vale encantado. Cabeça, Casal de Rei e Muro, são aldeias de xisto empoleiradas a ver passar as águas da Serra que aqui cruzam pontes medievais, regam milhos e batatais, movem rodas e pedras de moinhos ancestrais. Em Vide juntam-se alguns caminhos e as águas oxigenadas, frescas e ricas em trutas das ribeiras de Loriga, de Piodão e de Alvoco. Continuando pela EN 230 surge Teixeira inclinada perante as belezas do seu vale. A caminho de Alvoco, continue de mão dada com lindos panoramas, recantos com socalcos e as pequenas aldeias de xisto de Vasco Esteves. Adiante é o impressionante vale de Alvoco, com a ribeira a subir até à catedral cinzenta e branca da Torre, por entre um imenso balcão de socalcos, pinhais e soutos de castanheiros, onde habita a Geneta, a Fuínha, a Coruja e o Estorninho. Em Alvoco há um troço de calçada romana junto à rua principal, há o suave balir dos rebanhos, há o roçar dos teares seculares e levadas de água que proporcionam passeios a pé ímpares.
Regressando a Seia, pela EN 231, atravesse a cidade e a solarenga e nobre aldeia de Santa Marinha, a caminho das terras chãs de Santa Comba e Pinhanços para provar nas Quintas da Bica e de Sães alguns dos melhores vinhos do Dão, sub-região da Serra da Estrela.
Na Rota da Neve Um passeio à Lagoa Comprida e ao planalto da Torre, pela aldeia do Sabugueiro – a mais alta de Portugal. Sempre pelo caminho mais curto para ir esquiar ou apenas gozar o prazer puro da Natureza em altitude.
Saindo pela EN 339 pare no miradouro da Sr.ª do Espinheiro e espreite Seia e o horizonte. A EN 339 atravessa a aldeia de Sabugueiro, a 1050 metros de altitude.
O casario antigo da aldeia, não está junto à estrada, mas sim à volta do Largo da Igreja. O vale, com o truteiro rio Alva lá no fundo, o escadório verde dos socalcos, as florestas e os rochedos pintados de branco, lá no céu, é deslumbrante.
Muitas casas que em tempos idos eram cobertas de colmo e lousa foram recuperadas para alojar turistas. Na margem oposta avistam-se as Centrais do Sabugueiro que geram energia com a água que desce entubada da Lagoa Comprida e do Vale do Rossim. A pé, não deixe de visitar a Cascata da Fervença ou o Covão do Urso. Adiante é a subida entre matas de coníferas que são local de abrigo e reprodução do Javali, do Gavião, do Pombo-Torcaz, do Pica-Pau ou da Estrelinha. A maior altitude despontam os blocos graníticos rodeados de zimbros e boleados pelos ventos e pelas neves. Depois dos primeiros espaços planos, o Chão das Eiras e o Paramol, surge à direita o Covão do Curral e a ribeira da Nave, por onde descia um braço do glaciar do Covão Grande, à cerca de 20.000 anos atrás. Hoje este circo glaciar é um espaço que convida às escaladas e ao montanhismo, ou à contemplação dos linquenes, dos cervunais, da câmpanula dos Hermínios ou da Orvalhinha – a planta carnívora que prende os insectos numas gotículas capazes de os digerir. A Lagoa Comprida também foi um antigo lago glaciar, cujo covão, fechado por forte dique em degraus de granito, recebe por túnel as águas do planalto da Torre, representadas no Covão do Meio.
Finalmente, com as cúpulas prateadas e os teleféricos das pistas de ski da Torre à vista, troque o carro pelos esquis ou pela prancha de snow-board e deslize pelos prazeres da neve.
Posto de Turismo de Seia Rua Pintor Lucas Marrão 6270-513 Seia Tel.: 238 317 762 Fax: 238 317 764
Um tempo de montanha, neve e bem-estar, escalado pela luz dourada da altitude, nas Penhas e nos Cântaros, pelo verde dos lameiros e dos cervunais, pelo jorro das virtudes termais e pelas cascatas e rios truteiros que descem no berço de antigos glaciares, convidando ao repouso em Covões de nomes mágicos e aos passeios pelos méritos da Natureza no Parque Natural da Serra da Estrela.
Típica povoação de montanha, a 700 metros de altitude, recolhida no belíssimo vale glaciar do rio Zêzere, todo ele verde, com muitas casas e igrejas caiadas de branco e, em muitos dias, de neve. O rio passa veloz, num leito rugoso de granito, rodeado de lameiros, onde nasce o milho, cresce o pasto e rebanhos de ovelhas bordaleiras. O casario povoa, com ruas de ar antigo, toda a meia encosta da margem esquerda do Zêzere, ao longo de um anfiteatro semi-circular que o rio desenha. A história de Manteigas data a épocas anteriores à Era Cristã, sendo o seu primeiro foral de 1188, atribuído pelo Rei D. Sancho I. Sinais evidentes do passado são as Igrejas de Santa Maria, São Pedro e da Misericórdia, o solar da Casa das Obras, as tecelagens de colchas e tapetes, em tear manual que pode ser visto ao vivo no Centro de Artesanato, as típicas casacas de pastor, as cocharras e as esculturas em madeira, a latoaria e os trabalhos em carneira ou em granito. Outros sabores do passado e da Serra provam-se no cabrito assado, no cozido à Serrana, na feijoada, nas trutas, nos enchidos, no requeijão, no queijo da Serra, nos bolos de leite e de Crista, ou nas cavacas e nas queijadas.
Das Penhas Douradas ao Poço do Inferno... descobrindo o vale do Mondego Primeiro a subir até às Penhas Douradas, ao Vale do Rossim e ao Mondeguinho. Depois a descer do vale do Mondego para o vale do Zêzere até às cascatas do Poço do Inferno, ouvindo o silêncio e o cântico das paisagens. Ao sair de Manteigas, pela Rua Dr. Afonso Costa, cruze a ribeira de Santo André, passe junto ao campo de futebol e continue a subir pela estrada florestal da Carvalheira, rodeada de carvalhos, castanheiros e altivas pseudotsugas, até chegar à EN 232. Aqui pare um pouco. Este local, conhecido pela Curva Bonita, oferece um belo panorama de Manteigas e do vale superior do Zêzere. Depois da fonte, à esquerda, vê-se o Observatório Meteorológico, construído em 1882 para estudo e previsão do clima de montanha.
Continue pela EN 232 até à Pousada de S. Lourenço, a 1285 metros de altitude e daí para as Penhas Douradas, magnífica estância de férias de montanha, a 1475 metros de altitude. Repare nas casas de montanha de telhados pontiagudos e de cores vivas que contrastam com o branco da neve, o verde dos pinheiros silvestres e o cinzento escuro dos fragões. Das Penhas Douradas vá até Vale das Éguas, local planáltico onde existiu um campo de melhoramento de pastagens.
Regresse às Penhas e siga até à Albufeira da Barragem do Vale do Rossim, onde a neve, o gelo, o granito e a água se misturam no Inverno e se enche de prazeres aquáticos durante o Verão. Aqui existe um restaurante e um novo Parque de Campismo.
Regresse à E.N.232, volte à esquerda e vá até ao Mondeguinho; fonte e nascente de um dos maiores rios portugueses - o Mondego. Voltando à Pousada de S. Lourenço desça por uma estrada de terra, à esquerda, quase em frente à Pousada e acessível a veículos ligeiros. São três quilómetros até encontrar o alcatrão no cruzamento da Cruz das Jogadas. Aproveite e repouse o olhar na nova paisagem de xisto que rodeia o verdejante Vale Direito, ou na frondosa mata de Carvalhos, em frente. Depois, volte à esquerda e continue a descer ao longo das encostas suaves e onduladas de urzes e zimbros até chegar aos meandros rápidos do vale do Mondego e à Capela de N.ª Sr.ª do Carmo e ao idílico Covão da Ponte - um sítio que ninguém esquece. Volte ao cruzamento da Cruz das Jogadas e continue, em frente, através da Mata de S. Lourenço e dos panoramas profundos do vale da Ribeira de Pandil que desagua numa impressionante cascata de socalcos e lameiros no vale do Zêzere. Aceite o convite e siga até Sameiro sempre a acompanhar as águas truteiras do Zêzere e uma bela caravana de prados verdes. De volta a Manteigas, atravesse o Zêzere na ponte de S. Gabriel e continue até às Caldas de Manteigas, com a vila do outro lado do rio. Siga para o Poço do Inferno, subindo a encosta frondosa da Mata dos Carvalhais. Por fim, deslumbre-se com a bela queda d’água do Poço do Inferno que se situa na estreita garganta da Ribeira de Leandres, cujo leito percorre a linha de união do granito com o xisto.
Duração: 1 dia. Distância Total: 76 Kms.
As Caldas de Manteigas Estância hidro-terápica de águas sulfuro-sódicas, indicadas para o tratamento de reumatismos, dermatoses e das vias respiratórias. Nas termas existem duas nascentes - a Fonte Quente, com água a 42º C, e a Fonte Santa com águas a 19º C. A época termal decorre de 1 de Maio a 30 de Outubro. O Balneário Termal, moderno e com piscina termal, tem hotel e campos de ténis.
Até à Torre e aos Cântaros Das emoções do esqui e da neve, aos passeios a pé e a vida ao ar livre no Covão d’Ametade, a ver nascer o rio Zêzere. Partindo de Manteigas pela EN 338, cruze o rio Zêzere na ponte junto às Caldas de Manteigas. Visite o viveiro das trutas e repare na mata que envolve a estrada, nos pequenos pastos e nas casas de pedra, com telhados de palha de centeio e giesta, junto ao rio.
De um lado e de outro as vertentes abruptas, sulcadas por cascatas, riachos velozes e fontes caudalosas, das quais se destaca a Fonte de Paulo Luís Martins. À direita, o Covão de Albergaria e adiante o Covão d’Ametade, antiga lagoa de origem glaciar, aos pés do maciço do Cântaro Magro, onde nasce o rio Zêzere. Aqui é permitido o campismo, respeitando a sensibilidade do local que é todo ele revestido por relvados naturais (cervunais). Mais acima pare no miradouro sobre o vale do Zêzere, formado durante a glaciação Wurmiana que terminou à 20.000 anos. Passada a curva de acesso aos Poios Brancos e ao Planalto da Serra de Baixo, olhe para a direita e veja os rochedos dos Cântaros - o Gordo, o Magro e o Raso, da direita para a esquerda. Depois surge a Nave de Santo António que é uma planície arenosa, a 1550 metros, originada por uma antiga lagoa glaciária.
No cruzamento com a EN 339, volte à direita, para a Torre. No Covão do Boi repare no monumento a N.ª Sr.ª da Boa Estrela, baixo relevo esculpido na rocha por António Duarte, com mais de 7 metros de altura. Mais acima, eleva-se, à direita, o Cântaro Raso e a seguir, o pitoresco rochedo do Cântaro Magro - um dos símbolos naturais da Serra. O Cântaro Gordo situa-se junto ao cruzamento para a Torre, onde em 1817 D. João VI mandou levantar uma torre de 7 metros para completar os 2.000 metros de altitude. As pistas de esqui da Torre, situam-se à direita, para Norte, dispondo de quatro telesquis e uma telecadeira.
Posto de Turismo de Manteigas Rua Dr. Esteves de Carvalho, n.º 2 6260-144 Manteigas Tel./Fax: 275 981 129
Vila tão antiga como Portugal. Desde 1500 e tão famosa no Brasil como em Portugal A vila de Belmonte teve foral em 1199 e está situada no panorâmico Monte da Esperança (antigos Montes Crestados), em cujo morro mais rochoso foi construído nos finais do séc. XII o seu castelo que juntamente com os castelos de Sortelha e Vila de Touro, formaram até à assinatura do Tratado de Alcanices (1297), a linha defensiva do Alto Côa, apoiada na retaguarda pela muralha natural da Serra da Estrela e pelo Vale do Zêzere.
Por ser tempo de guerras contra leoneses e castelhanos, o castelo de Belmonte foi sendo melhorado nos reinados de D. Afonso III, D. Dinis e D. João I.
A bravura e a lealdade da família dos Cabrais, foi sempre lendária e temida, sobretudo a do seu primeiro Alcaide-mor - Fernão Cabral, que uma vez nomeado a título definitivo e hereditário, em 1466 por D. Afonso V, transformará o castelo numa Residência Senhorial Fortificada, onde seu filho Pedro Álvares Cabral viverá os seus primeiros anos de vida.
No séc. XIII atesta-se a existência de uma já próspera comunidade Judaica, responsável pela existência de uma sinagoga de que resta uma inscrição datada de 1296, que provavelmente viveria numa judiaria localizada no actual bairro de Marrocos. Em consequência da expulsão dos judeus de Espanha em 1492, pelos Reis Católicos é provável que esta comunidade tenha aumentado, até que em 1496, D. Manuel I decreta a conversão forçada ao catolicismo, seguindo-se uma série de perseguições e a criação de uma comunidade cripto-judaica que sobreviveu ao longo dos séculos, mantendo os seus rituais e tradições. É ainda o mesmo monarca que em 1510 renova o foral de Belmonte.
Em 1989 foi oficialmente criada a comunidade judaica de Belmonte, cuja sinagoga foi inaugurada em 1997, actualmente é uma das poucas comunidades com Rabi.
Uma viagem à volta do Monte da Esperança Dos panoramas do Vale do Zêzere aos encantos e mistérios da Torre de Centum Cellas, cruzando pontes, aldeias com belos solares e histórias de minas antigas.
Para fazer o passeio a pé ao longo do centro histórico da Vila de Belmonte que lhe propomos na página anterior e realizar esta viagem à volta do Monte da Esperança, reserve uma estadia de pelo menos dois dias numa das unidades hoteleiras de Belmonte.
Antes de deixar Belmonte pare junto à Câmara Municipal para admirar o magnífico vale do Rio Zêzere, com o seu leito largo e arenoso, rodeado de amieiros, campos verdes e frondosos pomares de macieiras e pessegueiros.
Saindo de Belmonte pela EN 345, desça até ao cruzamento com a EN 18 e vire à direita para Norte, seguindo a estrada ao longo da Ribeira de Gaia, afluente do Zêzere, cuja riqueza em estanho dos seus aluviões de cassiterite foi explorada pelos romanos, ou mesmo antes, e mais recentemente pelos americanos, entre 1910 e 1940. Cerca de mil metros adiante, vire à direita para Colmeal da Torre, onde à entrada da povoação, se situa a Estação Arqueológica Romana de Centum Cellas, antiga villa romana do século I d.C., ligada à exploração agrícola e mineira da região. Além da altiva e fabulosa construção denominada Torre que se conserva, constituída por enormes silhares graníticos, propositadamente feitos para encaixarem uns nos outros, as escavações em curso puseram à vista a planta do resto do edifício e as suas diferentes fases de construção. Se entretanto estiver na hora do almoço não deixe de provar as trutas, o arroz de lebre no pote de ferro, a caldeirada de cabrito ou o cabrito assado, seguido das tradicionais papas de carolo.
Do Colmeal siga para Maçaínhas, uma típica aldeia rural em perfeita harmonia com a paisagem natural em que se implanta. De Maçaínhas tome a direcção das Olas, antiga aldeia medieval que chegou a ter Igreja paroquial no séc. XIV. Depois da Quinta Cimeira acompanhe o fértil Vale da Ribeira das Olas pela estrada municipal, por entre encostas floridas de giestas (na Primavera), lameiros com rebanhos e cerros graníticos, dos quais se destaca à direita a Penha da Águia, em cujo sopé passa a linha do caminho de ferro. Das Olas continue para as Inguias, no cruzamento da estrada de Inguias para Bendada vire à direita logo em frente surge o pequeno morro onde se encontra a pequena ermida de N.ª Sr.ª da Estrela, onde foi encontrado recentemente um altar romano (ara) dedicado a Júpiter, e em cujas imediações já foram identificadas cinco estações arqueológicas romanas. A romaria de N.ª Sr.ª da Estrela realiza-se aqui anualmente em finais de Agosto.
De Inguias dirija-se para Sul, em direcção à EN 18-3, onde deverá voltar à direita para Caria, uma vila nobre e antiga do concelho de Belmonte. No cimo da vila situa-se a Casa da Torre, antiga residência de Verão dos Bispos da Guarda, mandada construir em 1322. Logo ao lado visite a Igreja Matriz da Imaculada Conceição, barroca, dos inícios do séc. XVIII, com um notável altar de talha dourada, finamente elaborada, com tecto de caixotões com trinta e dois retábulos pintados. Veja ainda o núcleo do casario junto ao solar setecentista dos Quevedo Pessanha, mais abaixo encontrará o Solar dos Condes de Caria, este do séc. XIX.
Duração: 1 dia. Distância Total: 25 Kms.
Na terra de Pedro Álvares Cabral Um passeio a pé ao longo do centro histórico de Belmonte, de mão dada com os monumentos que viram crescer este famoso navegador. Quinhentos anos após a descoberta do Brasil admire a estátua de Pedro Álvares Cabral situada no Largo António José de Almeida, a 100 metros dos Paços do Concelho. Suba a pé pela Rua 1º de Maio até à belíssima Praça da República, destacando-se o edifício da antiga Câmara, com a torre do relógio e onde se localiza o Posto de Turismo, o pelourinho quatrocentista e, em redor, um notável conjunto de casas onde pode comprar o artesanato local e da Serra da Estrela. Continuando para o Largo Afonso Costa, volte à esquerda e suba a Rua do Castelo. Visite o castelo que é formado pela Torre de Menagem, vestígios da antiga alcaidaría (Paço dos Cabrais) e um moderno anfiteatro ao ar livre, rodeado por imponentes muralhas. Não deixe de subir à janela Manuelina, verdadeira jóia granítica, de onde poderá contemplar a Serra da Estrela em toda a sua extensão. À saída do Castelo, em frente, observe as capelas de Santo António (séc. XVI) e do Calvário (séc. XIX) e, à direita, a cruz de madeira de Pau Santo do Brasil (réplica da que foi mandada levantar por Cabral na 1ª missa celebrada no Brasil), oferecida nos anos 50 pelo presidente brasileiro Kubichek de Oliveira.
Também à direita, a Igreja de S. Tiago, românica, vale a pena ser visitada, aí encontrará na capela mor, diferentes camadas residuais de frescos sobrepostos, que terão sido elaborados nos sécs. XVI, XVII e XVIII. O altar lateral, também conhecido por capela de N.ª Sr.ª da Piedade, constitui uma preciosa peça gótica com capitéis finamente trabalhados, e onde se guarda o túmulo de Maria Gil Cabral, fundadora da capela nos finais do séc. XIV, e ainda uma raríssima Pietá de granito policromado. Não deixe de visitar o Panteão dos Cabrais, onde se encontra um túmulo com alguns restos mortais de Pedro Álvares Cabral, para além de outros da mesma família. Deixando este templo, à direita, repare na torre sineira que compõe todo este conjunto religioso. Depois de percorrer a Rua da Judiaria e visitar a nova Sinagoga, regresse ao terreiro do castelo, onde todos os anos se acende o tradicional madeiro. Desça novamente a Rua do Castelo e siga pela Rua 25 de Abril em direcção à Igreja da Sagrada Família, em cujo altar lateral se encontra a famosa imagem de N. Sr.ª da Esperança que segundo a tradição terá acompanhado Álvares Cabral ao Brasil.
Posto de Turismo de Belmonte Largo do Brasil – Castelo de Belmonte 6250-048 Belmonte Tel./Fax: 275 911 488
Antiquíssima e histórica praça de guerra medieval, cruzada por ricos vestígios romanos, numa paisagem imensa e aberta às emoções da caça, aos encantos da Reserva da Malcata e à tranquilidade das férias na Natureza.
Penamacor nasceu e cresceu até ao século XVI dentro das muralhas do seu castelo, fundado no final do século XII por D. Gualdim Pais, mestre da Ordem dos Templários. Porém, os machados de pedra polida aqui descobertos, recordam que o homem habita o morro granítico do castelo desde o Neolítico. Durante a Idade do Ferro e do Bronze foi fortificado como castro, e as legiões romanas deram-lhe a forma de atalaia. Daqueles tempos provém o espólio da secção de arqueologia do Museu Municipal de Penamacor, composto por machados do Neolítico, mós proto-históricas, moedas e estátuas de deuses romanos, aras e lápides epígrafadas, bem como um admirável túmulo romano de incineração, do séc. I-II d.C., único na Península Ibérica. Para conhecer o castelo suba o Largo da Igreja Matriz até à Igreja da Misericórdia, do séc. XVI, apreciando o seu notável portal manuelino. Acima está o Terreiro do Pelourinho seiscentista e o arco gótico que atravessa as muralhas do castelo, sob o edifício manuelino do Domus Municipalis (antigos Paços do Concelho), decorado com escadaria de acesso exterior e brasões de D. Manuel voltados para a Rua de S. Pedro. Esta rua cruza todo o bairro do Castelo, desde a Torre de Menagem (do Relógio) até à Torre de Vigia, situada na extremidade do rochedo. Ao longo da Rua de S. Pedro o casario, tem admiráveis proporções medievais, guarda antigos poços, mostra sinais da pequena Judiaria de quinhentos e tem a Igreja de S. Pedro, de fundação românica. Descendo pela Rua de S. Pedro até ao Largo de Santa Maria, surgem outras vistas de Penamacor.
E pela Rua da Misericórdia, voltando à esquerda, chega-se ao Largo Júlio Rodrigues da Silva, onde no edifício do antigo Quartel se encontra o Museu Municipal. A caminho do Largo dos Paços do Concelho surge o Jardim da República ou Municipal. E do recinto do Convento de Santo António, do séc. XVI, há uma magnífica panorâmica sobre o casario baixo e harmonioso da Vila, decorado por diversos solares e habitações dos séculos XVIII e XIX.
Por Aldeias à beira do passado e da Serra da Malcata Um passeio para férias ou fins-de-semana, dedicado a quem tem o olhar ávido de grandes paisagens e gosta de cenários puros de água e serra, salpicados de curiosidades, sabores e aldeias cheias de história.
Saindo de Penamacor pela Rua Miguel Bombarda para a EM 569 - a estrada que conduz a Espanha, siga a caminho da Sr.ª Do Bom Sucesso. A estrada atravessa quase a direito a Reserva de Caça Turística das Veigas, onde se realizam habitualmente largadas de faisões e perdizes. Adiante, à direita, por entre um montado de azinheiras, situa-se o Açude da Ribeira da Bazágueda. Junto ao Açude elevam-se os arcos de uma ponte de finais do século XII.
De regresso à estrada volte à direita para visitar a capela da Sr.ª do Bom Sucesso, com púlpito exterior. Para diante estende-se o vale e a Serra da Arrochela, em cujo sopé um lavrador descobriu o túmulo funerário romano exposto no Museu Municipal. O Parque Municipal de Campismo do Freixial surge na margem da Ribeira da Bazágueda, no caminho para Aranhas que é uma aldeia situada no sopé do morro de Santa Sofia, onde existe uma pequena capela panorâmica. Na aldeia há um lagar de varas intacto, uma atalaia do séc. XVII, um troço de estrada medieval e a capela do Espírito Santo com aprazível parque. A viagem continua até à Aldeia de João Pires, uma aldeia histórica que reúne ao longo da Rua Velha e da Rua Cimo da Aldeia algumas das suas casas mais antigas e mais floridas. Junto à Igreja Matriz de S. Miguel encontra-se o Museu Etnográfico. Nas proximidades situa-se a estação arqueológica da Tapada do Outeiro e na saída para a EN 332 está a Capela do Espírito Santo e o Calvário, com três curiosas cruzes laterais. Depois de visitar em Aldeia do Bispo uma habitação do séc. XVII conhecida por Casa do Bispo, volte para Águas que tem uma calçada e ponte romana. No Largo das Igrejas de Águas há um solar e duas Igrejas, ambas são de granito, mas a mais nova é da autoria do Arqt.º Nuno Teotónio Pereira. A sul da aldeia estão as Termas da Fonte Santa, cujas águas sulfurosas são próprias para o tratamento do reumatismo e das afecções da pele. Bemposta é outra terra antiga, tem um valioso núcleo de casas gótico-renascentistas do séc. XVI floridas de buganvílias, e tem um conjunto monumental composto pelo pelourinho, a antiga casa da Câmara e prisão, a Capela do Espírito Santo do séc. XVIII e a Torre de Menagem com pedras romanas epígrafadas.
De regresso a Penamacor, pare em Pedrogão para ver os seus solares e outra notável colecção de casas populares seiscentistas e setecentistas.
Passe a noite em Penamacor e jante, optando por provar, o Chouriço de Ossos, o Entrecosto com Migas de Alho e o Queijo de Penamacor, ao sabor de um vinho Regional das Beiras. No dia seguinte, saindo de Penamacor para Norte, pela EN 233, siga em direcção a Meimoa, olhando uma paisagem suave e ampla de vales e pastagens rodeadas por pequenas colinas com pinhais. Meimoa tem uma das mais admiráveis pontes romanas da região. Repare no cruzeiro que tem inscrição romana e na fonte romana de mergulho, na saída para Caria. De Meimoa volte à direita para Meimão. Mais adiante vê-se o dique da Barragem da Meimoa e o espantoso cenário das vertentes da Serra da Malcata a desaguarem neste espelho de água. À volta da albufeira, já em plena Reserva Natural, há uma estrada de terra batida que segue até Meimão. Seguindo as pequenas setas verdes poderá subir até ao Alto dos Concelhos, a 1000 metros de altitude, de onde se avista a albufeira, a Reserva e sete concelhos em redor.
Meimão é uma aldeia cheia de riquezas rurais e casas populares de rosto antigo. Situa-se do extremo da albufeira e do alto da estrada que conduz a Santo Estevão e ao Vale da Sr.ª da Póvoa, há um inesquecível panorama de água e serra. De regresso a Penamacor pare em Vale da Sr.ª da Póvoa, e admire o conjunto de edifícios que ladeia a rua que desce da Igreja Matriz, uma estação romana com sarcófago, e o local da Romaria da Senhora da Póvoa que anualmente se realiza na Segunda-feira seguinte ao Domingo do Espírito Santo (móvel).
Duração: 1 dia. Distância Total: 18 Kms.
Reserva Natural da Serra da Malcata Relíquia verde de uma serra retalhada por ravinas de xisto, pastos e bosques mediterrâneos povoados de linces, javalis e raposas, mesmo à beira dos panoramas da Albufeira da Meimoa e da harmonia entre o Homem e a Natureza.
A Reserva da Malcata foi criada em 1981 para proteger o lince ibérico e todo o ecossistema a ele associado. Toda a Serra da Malcata mostra um relevo acentuado, assente em xistos e grauvaques pré-câmbricos, onde a conjugação dos ventos atlânticos e continentais dá origem a micro-climas do tipo mediterrâneo. Os cumes são arredondados, ora cobertos por mantos de estevas e sargaços, ora por manchas de urzes que florescem na Primavera.
Mas é nos vales, nas ravinas dos riachos ou pelas margens da Albufeira da Meimoa que a Serra guarda o melhor da sua vida animal e vegetal. Nas encostas sombrias e expostas a Norte domina o carvalho-negral, o carvalho-cerquinho, a cerejeira brava, os castanheiros, as aveleiras, as giestas, as carquejas e os medronheiros que dão no Outono os suculentos frutos para a apreciada aguardente de medronho. Nas vertentes mais quentes e secas, viradas a Sul e a Leste, habita a azinheira e o sobreiro.
A bordejar as ribeiras que correm por ravinas com leitos apertados, onde espadana a truta, há exuberantes amieiros, salgueiros e freixos que formam o denso habitat do lince ibérico, do gato bravo, do javali, das ginetas e das raposas, ou onde ecoa o cântico dos chapins e dos rouxinóis.
À beira da albufeira habita a lontra, o lagarto-de-água ou o melro aquático, e surgem pequenos pastos com rebanhos de ovelhas e cabras que dão o leite para o gostoso queijo de Penamacor. E é nos matos vizinhos a estes pastos que vive o coelho-bravo, a base da alimentação do lince ibérico.
Ao lado há colinas suaves vigiadas pelo voo da águia-real ou do açor à procura de lebres e perdizes. Hoje, com a recuperação das actividades humanas ajustadas ao ambiente, a Serra da Malcata é cada vez mais um centro de Turismo Rural e de Natureza, já eleita como Reserva Biogenética da Europa.
Posto de Turismo de Penamacor Rua 25 de Abril 6090-552 Penamacor Tel.: 277 394 316 Fax: 277 394 196 (C.M.P.)
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